XADREZ, PORQUE JOGÁ-LO?

“Embora a palavra xadrez venha do árabe, sua origem mais remota aponta para um jogo indiano composto por carros, cavalos, elefantes e soldados de infantaria. O brâmane Sissa, seu provável inventor, explicou ter escolhido a guerra como modelo porque era a melhor escola para se aprende o valor de uma decisão tomada, o vigor, a resistência, a prudência e a coragem.” (Carvalho, 2004)

O xadrez é um jogo altamente positivo para quem joga, pois de uma maneira resumida, proporciona aos seus participantes: criatividade, concentração, memorização, paciência, disciplina, respeito aos adversários, árbitros e leis, contribuindo para formação de um cidadão ético e crítico, sabendo adequar-se à vida em sociedade.

UM POUCO DE HISTÓRIA

CHATURANGA
Acredita-se que o xadrez tenha origem hindu. Seu precursor seria um jogo surgido na Índia no século VI a.C., o chaturanga (quatro armas, em sânscrito). Ele era disputado por quatro pessoas, cada uma com oito peças: o rei, o vizir, o barco, o elefante e quatro soldados. A ordem das jogadas era definida por lances de dado.

EUROPA
Com as invasões árabes do século X, o chaturanga chegou à Itália e ao sul da Espanha. Na Europa, o jogo passou a ser disputado por somente duas pessoas. A moralista sociedade cristã, que condenava os jogos de azar, inibiu o uso do dado. No lugar de um dos reis, criou-se uma peça para a rainha. O elefante do chaturanga original era animal inexistente na Europa. Assim, deu lugar ao cavalo. O vizir transformou-se em bispo, por influência da Igreja, e o barco deu lugar à torre, símbolo dos castelos europeus. O roque, jogado em que o rei se protege usando a torre como anteparo, representa o refúgio dele em seu castelo.

As rainhas Vitória e Isabel (à dir.): depois delas, a dama do xadrez ganhou mais poder.

O PODER FEMININO
No século XIX, a ascensão das rainhas Isabel II (Espanha) e Vitória (Inglaterra) deu força à rainha no xadrez. Hoje a peça se movimenta quantas casas quiser e é a mais ofensiva do jogo. Mas não ameaça a supremacia do rei. O xeque-mate continua sendo aplicado somente sobre ele.
Outra peça que ganhou poder foi o peão. Quando chega à última linha do lado adversário, pode ser trocado por qualquer peça, exceto o rei. A jogada reflete o pensamento liberal dos séculos XVIII e XIX, segundo o qual qualquer pessoa podia subir na vida, embora jamais chegasse a rei.

GUERRA FRIA
Quem joga xadrez bem é quase sempre tido como gênio. Essa fama foi aproveitada no pós-guerra por nações capitalistas e socialistas. Na Guerra Fria, a concorrência entre os dois blocos políticos ia além da econômica e tecnológica: era também intelectual. Os enxadristas famosos foram bem explorados tanto por americanos como por soviéticos. Afinal, a nação de um campeão de xadrez seria, em tese, o lugar onde estariam às inteligências mais brilhantes. Daí as acirradas disputas entre o americano Bobby Fischer e o russo Boris Spassky na década de 70. Numa das partidas, Fischer teria sido pressionado pelo estadista americano Henry Kissinger a vencer o jogo de qualquer maneira. Fischer ganhou, mas deixou os torneios internacionais, desgostoso com a excessiva conotação política dada ao xadrez.

COMO JOGAR: REGRAS BÁSICAS

O objetivo do jogo é fazer xeque-mate ao rei adversário, isto é, colocar o adversário em xeque sem que este possa “fugir” ou capturar a peça que o está a ameaçar. Quem começa o jogo é o participante que ficará com as peças brancas, sua posse deve ser sorteada entre os jogadores.
O tabuleiro consiste em 32 casas pretas, intercaladas com 32 casas brancas. A posição do tabuleiro deverá ser sempre observada de forma que a casa branca da aresta fique sempre à direita dos jogadores.

TABULEIRO

Anotar uma partida de xadrez é um exercício sobre coordenadas cartesianas. Por convenção, as linhas do tabuleiro são numeradas de 1 a 8 e as colunas, de A a H. Por exemplo, E2-E4 significa mover o peão do rei das peças brancas para a quarta linha.

QUINTILHÕES

Segundo uma lenda, o xadrez foi inventado por um sábio hindu para curar a depressão de seu rei. Encantado, o rei prometeu ao sábio o que ele quisesse. O sábio fez um pedido inusitado: um tabuleiro com grãos de trigo que, na primeira casa, tivesse um grão, na segunda, dois, na terceira, quatro, dobrando sempre. O rei mandou fazer os cálculos. Se a cada casa o número dobra, tem-se uma progressão geométrica de razão dois. A resposta — quase vinte quintilhões (o número 2 seguido de 19 zeros) — pode ser obtida calculando-se 1+21+22+23+...+263.

MOVIMENTAÇÃO DAS PEÇAS

Peão
Movimenta-se para frente, de casa em casa, e ataca nas diagonais. Uma exceção: na saída, pode avançar duas casas. Se conseguir atingir a última linha do lado adversário do tabuleiro, podeser promovido a qualquer peça, com exceção do rei.

Cavalo
Move-se em "L", duas casas na vertical e uma na horizontal, ou vice-versa. É a única peça que se movimenta por sobre as outras, embora ataque somente a casa na qual a jogada se completa.

Bispo
O bispo tem o direito de movimentar-se em qualquer diagonal do tabuleiro, avançando o número de casas livres que desejar. Mesmo assim, ameaça somente aquela que vai ocupar no final do lance.

Torre
Representa os castelos europeus da Idade Média. Desloca-se nas ortogonais (lances que se dão na horizontal ou na vertical) quantas casas livres quiser e ataca apenas a última casa de seu movimento.

Rainha
Pode andar em qualquer direção, qualquer número de casas. Tamanha liberdade de movimentos torna a rainha a peça mais versátil do xadrez. Como as outras peças, ataca a última casa de seu movimento.

Rei
Sempre foi a figura mais poderosa do jogo. É sobre ele que se aplica o xeque-mate. O rei move-se em qualquer direção, uma casa por vez, e só não pode ocupar as casas adjacentes à do rei adversário.

Fontes:

* Xadrez Gigante
http://www.xadrezgigante.com.br
* Nova Escola On-line – Artigo: Um lance de Mestre
http://novaescola.abril.com.br
* CARVALHO, Helbert. Tabuleiro da Vida: O xadrez na história. Histórias do Xadrez. São Paulo, São Paulo. 2004. p. 7.
Fragmentos do Livro de Helbert Carvalho no site:
http://books.google.com.br/books
* Federação Paulista de Xadrez – Artigo: Porque jogar Xadrez?
http://www.fpx.com.br